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“ E nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é caridade e quem está em caridade está em Deus, e Deus, nEle. (…) Nós o amamos porque Ele nos amou primeiro.” 1 João 4: 16 e 19

Quando Deus nos chamou, Priscila e Jéssika, para vir ao Amazonas, não tínhamos a noção de como a cultura do nosso país é tão diversificada. Mesmo a Jéssika já tendo conhecido o Amazonas em uma missão curta, viver em uma comunidade ribeirinha era totalmente diferente de tudo que já havíamos vivido. Aos poucos fomos desconstruindo nossos preconceitos e reformulando novos conceitos sobre o papel de cada uma na comunidade, e mais importante, qual era a nossa real função como geração eleita, sacerdócio real.

A construção desses papéis às vezes se fez por meio de utilizar experiências já vividas anteriormente por onde passamos ou em sua maioria através do utilizar uma nova visão de sociedade ribeirinha carregada de culturalismo, crendices populares e valores diferentes do que se é acostumado a ver no Sul/Sudeste, que é de onde viemos. Aos poucos fomos sendo adaptadas a esses novos papéis, e aprendemos a ser ribeirinhas. Talvez mais em teoria do que em prática, mas já sabemos como tratar um peixe, como se utiliza malhadeira, como se faz farinha e como se come também, como é o verdadeiro Açaí, Abacaba, Cupuaçu, Umari, Araçá, Buriti, Pupunha, Pajurá, Tambaqui, Jaraqui, Pirarucu, Coentro, Taperebá, e tantos outros sabores. Como remar ou dirigir um 15, como atender pacientes em redes ou transportá-los por uma ponte no meio da estrada que quase nem cabia a maca de tão estreita e ainda passar por uma parte alagada, como promover saúde em um local tão necessitado, como dar aulas em multisérie, como promover educação de qualidade ainda que com mínimos recursos, como fazer amigos, como sentar no passeio de uma casa de palafita e apenas ouvir as pessoas e aprender com sua simplicidade e carinho, como doar-se e receber em troca o mais sincero amor.

Agora estamos de saída para novos chamados, outra dupla estará em nosso lugar aqui na Comunidade Membéca, a Thamara e a Geovana. O sentimento de saudade é inevitável, porém temos a certeza de que cumprimos o nosso chamado nesse lugar. E mais que isso, descobrimos o quanto é gratificante servir a quem um dia nos serviu. Um Deus real e pessoal, que nos mostra a verdadeira felicidade, o verdadeiro amor, quando nos perdemos de nós mesmos, nos desfazemos de nossos preconceitos e rejeições e permitimos que Ele nos guie pelos seus propósitos. Esse texto define o que aprendemos em essência: ‘Todas as boas qualidades que os homens possuem são dom de Deus; suas boas ações são realizadas pela graça de Deus mediante Cristo. Visto que tudo devem a Deus, a glória do que quer que sejam ou façam, a Ele pertence somente; não são senão instrumentos em Suas mãos. Mais que isto — conforme ensinam todas as lições da história bíblica, é coisa perigosa louvar ou exaltar o homem; pois se alguém vem a perder de vista sua inteira dependência de Deus, e a confiar em sua própria força, é certo que cairá.’

Descobrimos a felicidade em depender em cada detalhe dAquele que tem o universo na palma de suas mãos e sabe até quantos fios de cabelo eu tenho. DAquele que se inclina para nos ouvir, habita no nosso pequeno coração e nos dá a oportunidade de sermos usados para ser conforto, luz, auxílio, cuidado, ensino, saber, paz e amor a outras pessoas que necessitam dEle, que é tudo isso e nos permite ser quando deixamos que Ele aja em nós. Aprendemos que tudo é dEle, para Ele, por Ele. Parafraseando uma das minhas músicas favoritas:’ E que o nosso nome morra com o nosso corpo, mas que o de Cristo permaneça em tudo! ‘ Saudades das Jaquelines para o Membéca!

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