Chamada para Servir

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Todavia, o que para mim era lucro, passei a considerar como perda por amor de Cristo. Filip. 3:7

“A missão no Amazonas foi única, pois creio pelos olhos da Fé, que foi nessa missão que obtive as respostas de Deus quanto ao propósito que Ele tem para minha vida.

“Tudo começou com um forte desejo que nasceu em meu coração de ir como missionária pro Amazonas. Eu entrei na internet e vi sobre o projeto Salva-Vidas Amazônia, e pela providência Divina consegui participar da missão com um grupo que estava sendo formado por uma enfermeira de São Paulo. Aconteceram inúmeras coisas para me impedir de ir, mas com muita oração eu venci pela força e méritos de Cristo, e no dia 17 de julho estava embarcando pra tão desejada missão no Amazonas, e essa seria a primeira missão que eu participaria de fato como uma missionária. Que alegria, que privilégio.

“Durante os dias no Amazonas, por muitas vezes em minhas madrugadas com Deus, eu ainda não entendia o porquê estava ali, e no silêncio da noite, contemplando a lua, as estrelas, a suave brisa do vento gelado, o barulho vindo da selva, as lágrimas rolavam pelo meu rosto, e em profunda conversa com meu Salvador eu Lhe questionava qual o verdadeiro motivo de estar ali. Os dias se passavam e nada de respostas, até que faltando 3 dias para terminar a missão, Deus começou a Se revelar para mim de uma forma bastante pessoal.

“Na missão conheci um jovem ribeirinho chamado Naildo que estava afastado dos caminhos do Senhor. Ele me confidenciou sua história, e me disse dos sentimentos que tinha de voltar pra Deus, mas que tinha alguns assuntos para resolver antes, e ele me disse que precisava acertar as contas com um cara, e me contou os caminhos por onde andou, e o quanto havia ido longe. Eu passei a ficar amiga desse rapaz, e a orar por ele todas as madrugadas, e um dia, ele me disse: Érica, prega pra mim, e como ele era sempre muito brincalhão não levei a sério, e saí sorrindo. Foi quando ouvi a voz de Deus me dizendo: ‘volta lá e prega pra ele’, e eu disse a Deus: ‘Mas Senhor, pregar o que? Ele não deve estar falando sério, são 15:00 da tarde, vou pregar o que pra ele?’ E de novo ouvi a voz de Deus: ‘volta lá e prega pra ele.’

“Eu obedeci e voltei, sem nem saber o que ia fazer nem falar. Quando voltei, ele estava com a minha meditação nas mãos, estava lendo em voz alta, eu me sentei ao lado dele e fiquei ouvindo ele ler o finalzinho da meditação, quando ele acabou, ele disse: “Eu não entendi nada.” Eu sorri pra ele e lhe disse: “Então vamos ler juntos”, e comecei a ler a meditação pra ele e explicar.

“Quando acabei de ler ele ficou quieto e muito pensativo, perguntei o que ele estava pensando, e ele disse que queria ir embora, embora daquele lugar, que queria viver a vida, ganhar o mundo. Eu logo entendi que como um jovem, ele queria fama, dinheiro, riquezas e tudo o mais que o mundo oferece para nos desviar do foco que é Cristo. Comecei a aconselhar aquele jovem e compartilhei um pouco com ele sobre minhas experiências de vida e dos meus sofrimentos e marcas do passado por ter feito escolhas erradas e por não ter deixado Deus conduzir minha vida, pois assim como o Naildo eu também me afastei dos caminhos do Senhor e andei longe, muito longe, então eu sabia na prática do que estava lhe falando. Enquanto eu falava, de repente ele começou a chorar, um choro vindo da alma, um choro muito profundo, como se estivesse um grito preso dentro dele, eu segurei as mãos dele e perguntei se ele queria orar, ele só balançou a cabeça em sinal positivo.

“No último dia da missão aquele jovem reuniu a todos os missionários e nos contou sobre sua vida passada, sobre as drogas que havia usado, vícios de bebida e sobre seu sentimento de vingança, sobre sua vontade de matar alguém, e disse que todos ali tinham sua contribuição para a decisão dele. Ninguém mais acreditava nele, mas nós acreditamos. Ele disse que no dia que conversamos, minhas palavras abriram o coração dele pra Deus, e ele via algo diferente nos meus olhos. Ele não conseguia parar de olhar pra mim e chorar, as minhas palavras pra ele haviam o levado de volta para Jesus. Ele disse que podia ver Jesus na cruz sofrendo, e mesmo assim permaneceu humilde e com amor. Ele comunicou a todos sobre a decisão dele de voltar pros braços de Jesus e que queria dedicar a vida dele ao Senhor.

“Eu não me contive nas lágrimas, enquanto ele falava, o Espírito Santo foi me fazendo lembrar de cada resposta que havia me dado nas madrugadas, como se confirmando tudo o que havia me dito, e não saia da minha mente: APASCENTA OS MEUS CORDEIRINHOS.

“Sei que nada do que foi dito veio de mim, muito menos o olhar o qual ele se referiu, pois sou apenas um vaso de barro nas Mãos do Senhor. A Ele toda Honra e toda Glória, sou apenas um instrumento que deseja diariamente ser usada para Glorificar o nome de Cristo e realizar a missão que Ele nos confiou.

“Hoje esse rapaz já se rebatizou para Honra e Glória de Deus, e está fazendo o curso de missionários na Escola de Missões Salva-Vidas.

“Hoje sei na prática o que é a felicidade plena: é você se colocar como instrumento nas mãos do Senhor. A alegria daquele rapaz foi muito grande, mas a minha alegria é ainda maior, pois ser usada por Jesus para servir ao próximo é a maior alegria que o ser humano pode experimentar. Esse é um privilégio de Deus para seus filhos, não somente para sermos usados para salvar a outros, mas para sermos salvos também.

“E hoje sigo em oração para Deus me conduzir ao chamado que creio que Ele fez para mim, e para todos aqueles que estão dispostos a se colocar nas mãos do Mestre Jesus para cooperar com Ele na solene obra de buscar e salvar os perdidos e povoar o céu pelos méritos do sangue de nosso Senhor Jesus Cristo.”

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