Negociando sem resposta Divina

Fernando BorgesBlog do Victor & GabiLeave a Comment

Em Barreirinha, tivemos uma reunião com a coordenadora de saúde, Sra. Helena, que nos fez uma proposta tentadora:13.000,00 reais líquidos por 7 dias consecutivos de trabalho no hospital, 24h/dia, 1 semana/mês, sendo o sábado negociável!
Antes do final, preciso explicar o contexto: Desde de que me formei em 2007, trabalhei com PSF, Hospital e Pronto Socorro. No último ano, ganhava um pouco mais que o dobro desse valor, com menos desgaste diário. No processo de volta aos braços de Cristo, entendi que minha fraqueza era o excesso de trabalho que causava cansaço frequente, horários irregulares que impediam uma rotina estável e duradoura somando com uma alimentação não saudável. Resultado: obesidade, gastrite, sono não restaurador, desatenção e ausência de vida espiritual. Sem falar que tinha contribuído fortemente para minha separação conjugal anterior.
Mas é muito dinheiro! Imagina tudo o que pode ser feito com ele no campo missionário! Sem falar no relacionamento com a prefeitura, abrindo portas para parcerias com o poder público!
Eu e minha esposa listamos todos os motivos racionais e espirituais que conseguimos. Oramos antes da reunião (até então desconhecíamos esses detalhes) por quase 1 mês. Pedimos que amigos e familiares também fizessem o mesmo. A pressão até aumentou um pouco sobre o assunto: “Vocês são profissionais, usem sua profissão para Deus”. Ouvimos muito isso e concordamos, mas queríamos a confirmação divina nesse assunto específico. Ela não veio. Os dias passaram, faltavam horas…e nada.
A secretária exigiu uma resposta ainda naquele dia. Fui conhecer o hospital e para nossa surpresa meu nome já estava na escala! Mas Deus continuava em silêncio. Cheguei a fazer planos com o dinheiro, mas não ia até o final para não me frustrar.
Anoiteceu, e andando nas ruas alagadas da cidade, concluímos que não devíamos mover um centímetro sem a confirmação divina. Não foi fácil, mas liguei e recusei polidamente a oferta.
Queria poder contar que logo depois soubemos que tinha sido a decisão correta. Que fomos premiados com alguma grande bênção, mas não foi isso que aconteceu. Meus pais foram novamente “provados” com essa informação. Nossos líderes nos apoiaram e a vida continuou.
A fé de José não foi premiada no exato momento em que ele recusou deitar-se com a mulher de Potifá e nem a de Jó quando ele não blasfemou contra Deus. No tempo de Deus, ela chegará, algumas em vida, mas para todos, na ressurreição dos justos.
Vale a pena ser fiel, porque atualmente estou experimentando a serenidade diária do relacionamento com Deus, percebida nas pequenas coisas.  A famosa “paz que excede o todo o entendimento”.
Você não gostaria de experimentar o mesmo?

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